Poesia em pedra Poesia em pedra
Domingo de Páscoa
Esculturas de Aleijadinho na Basílica do Bom Jesus de Matozinhos, Congonhas, Minas Gerais (© Pulsar Imagens/Alamy)
No alto do Santuário do Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas, doze profetas recortam o céu como personagens à espera do próximo capítulo da história. Esculpidas em pedra‑sabão entre 1800 e 1805, as figuras não são enfeites, mas guias: cada expressão, inclinação e gesto foi colocado ali para indicar o trajeto até a basílica. Não é por acaso que o conjunto se tornou Patrimônio Mundial da UNESCO em 1985, colocando essa colina mineira no mapa das grandes obras que contam a história da humanidade em forma de arte.
Foi Aleijadinho, apelido de Antônio Francisco Lisboa, filho de um mestre português e de uma mulher negra escravizada, quem deu alma a essas formas. Mesmo com limitações físicas severas, ele soprou movimento, emoção e narrativa à pedra, dando ao drama barroco um toque de inventividade bem brasileira.
Enquanto a Páscoa fala de renovação, a imagem lembra que o novo não surge no vazio. Ele floresce ao redor do permanente, alimentado por histórias que nunca deixam de apontar o caminho.